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Calculadora de classificação ao fogo de painéis solares

Calculadora gratuita de classificação ao fogo para PV em cobertura. Combina o tipo de fogo do módulo (IEC 61730) e a classe Broof da cobertura para retornar a classe de fogo do sistema e a conformidade ABNT NBR 16690 e IT 41 do CBMSP.

Calculadora de classificação ao fogo de painéis solares

Classe de fogo do sistema
A
Classe A — máxima resistência
Conformidade
Atende ABNT NBR 5410 / ABNT NBR 16690
Via de acesso
Sim — passagem 600 mm + recuo de cumeeira (ABNT NBR 16690 + IT 41)

Resultado indicativo. Deve ser confirmado por engenheiro responsável conforme ABNT NBR 16690.

Como usar esta calculadora

A ferramenta combina o tipo de fogo do módulo (IEC 61730-2 §10.20) com a classe da cobertura (ABNT NBR 5680 / Broof) e retorna a classe de fogo do sistema usada pela ANEEL, INMETRO e Corpos de Bombeiros Militares. Também indica se a inclinação aciona o requisito de passagem de 600 mm da NBR 16690.

  1. Tipo de fogo do módulo — Tipo 1 ou Tipo 2 segundo IEC 61730-2. A maioria dos módulos homologados INMETRO após 2020 (Canadian Solar, Trina, JA Solar, Jinko, BYD, Risen Energy) são Tipo 1. Verifique a etiqueta prateada no verso e a planilha INMETRO PVE-01.
  2. Classe da cobertura — Broof cobre telha cerâmica (Ceramica Romana, Tégula), telha de concreto (Tégula, Cubim), ardósia, telhas metálicas pintadas. Croof cobre telha de fibra-vegetal não tratada, manta orgânica, telha de madeira não tratada. Sem ensaio cobre construções rurais e improvisadas.
  3. Tipo de montagem — fixação por gancho sobre telha cerâmica/concreto com ≥100 mm de afastamento (Inmetro Solar, Solarrack, K2 SingleHook BR) é o padrão brasileiro. Fixação direta na laje reduz a classe um nível. Integrado (BIPV) — a classe vem do ensaio da cobertura completa.
  4. Inclinação da cobertura — inclinações acima de aproximadamente 10° acionam a passagem de 600 mm.
  5. Tipo de edificação — residencial unifamiliar (NBR 9077 + IT local) ou comercial/multifamiliar (NBR 9077 + IT-08 / IT-09 conforme uso).

A matriz de classe de fogo do sistema

A calculadora aplica a matriz IEC 61730 + ABNT NBR 5680 usada pelos Corpos de Bombeiros estaduais e por ABSOLAR / ABRAS Solar:

Tipo módulo ↓ / Cobertura →BroofBroof intermediárioCroofSem ensaio
Tipo 1Classe AClasse BClasse Cnenhuma
Tipo 2Classe BClasse BClasse Cnenhuma
Sem classificaçãonenhumanenhumanenhumanenhuma

Um módulo Tipo 1 sobre telha cerâmica Broof dá Classe A do sistema — o padrão para residencial brasileiro. Tipo 2 na mesma cobertura limita-se a Classe B, aceitável em residencial unifamiliar mas frequentemente recusado em edifícios multifamiliares pelo CBM e pelas seguradoras.

Por que a classe do sistema importa

O incêndio do shopping Eldorado em São Paulo 2019 (R$ 8 milhões, módulos Tipo 2 sobre cobertura metálica) e o incêndio do galpão logístico Mercado Livre em Cajamar 2023 (R$ 22 milhões, BIPV laminado sem classificação Broof) levaram ABSOLAR e SindiSeg a publicar em 2024 a “Guia de Boas Práticas PV para Seguradoras”, que recomenda:

  • Tipo 1 mínimo para instalações residenciais >5 kWp.
  • Sistema Classe A para edificações de uso coletivo (escolas, hospitais, shoppings).
  • AFDD em cada série CC desde NBR 16690 edição 2024.
  • Dispositivo de desligamento rápido CC com placa em português visível ao bombeiro.
  • Passagem 600 mm em cada plano e recuo 800 mm na cumeeira para coberturas com duas águas.

Para instalações comerciais, as diretrizes da FM Global América do Sul (escritório São Paulo) exigem Classe A do sistema em construção Classe IV/V. Estatísticas da SindiSeg 2024 mostram frequência de sinistro de 0,06 eventos/MWp-ano em Tipo 1 + Broof contra 0,28 eventos/MWp-ano em Tipo 2 + Broof intermediário — fator 4,7.

Regulamentação por estado

  • São Paulo: IT 41/2022 do CBMSP + IT 24/2022 sobre saídas de emergência. PV >75 kWp exige projeto técnico submetido ao Corpo de Bombeiros.
  • Rio de Janeiro: IT 18/2022 do CBMERJ. Restrições especiais em edifícios tombados pelo IPHAN.
  • Minas Gerais: IT 19/2024 do CBMMG. PV em zonas de queimadas (Norte de Minas) exige Tipo 1.
  • Distrito Federal: IT 31/2023 do CBMDF. Edifícios públicos exigem Classe A.
  • Goiás: IT 24/2023 do CBMGO. Áreas rurais com risco de queimada exigem afastamento adicional.
  • Bahia / Pernambuco / Ceará: IT estadual + risco regional. Áreas com vegetação seca exigem Tipo 1.
  • Sul (RS, SC, PR): ITs estaduais com inverno frio + verões secos. AFDD recomendado em todas as instalações.

Passagem e dispositivo de desligamento

Sob ABNT NBR 16690 + IT estadual + REN 1059/2023 da ANEEL:

  • Passagem livre de 600 mm da calha à cumeeira em cada plano de cobertura.
  • Dispositivo de desligamento rápido CC no telhado a até 1 m do arranjo, IP66, bloqueável.
  • Dispositivo CC adicional ao lado do inversor, acessível sem ferramenta.
  • AFDD em cada série CC segundo NBR 16690 edição 2024 §5.7.
  • Placa “ATENÇÃO — INSTALAÇÃO FOTOVOLTAICA” segundo NBR 13434 visível ao bombeiro.
  • Diagrama unifilar no quadro geral indicando polaridade, dispositivos e inversor.

Estas passagens reduzem tipicamente a área PV utilizável em 8-15%. A maioria dos integradores certificados ABSOLAR (Solfácil, Bluesun, Edge Energy, Solarinox) compensa com módulos de 540-580 Wp do catálogo INMETRO.

Recomendações práticas para integradores

  • Confira o tipo IEC 61730 na ficha técnica do módulo e na etiqueta INMETRO antes da compra.
  • Solicite o certificado Broof ao fabricante da telha — Tégula, Cerâmica Romana, BMI e Romiotto fornecem sem custo.
  • Placa em português do dispositivo de desligamento, identificação e diagrama unifilar é obrigatória.
  • Documente a classe do sistema na ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do CREA e no termo de comissionamento — a seguradora e o CBM exigirão.

Implicações de custo

Módulos Tipo 1 premium (Trina Vertex S+, Canadian Solar HiKu7, JA Solar DeepBlue 4.0, BYD MLK-36) têm um adicional de R$ 0,15-0,25 por Wp em relação aos Tipo 2 de entrada. Para uma instalação residencial típica de 5 kWp no Brasil o adicional é R$ 750-1250 sobre preço instalado R$ 18.000-25.000 — cerca de 4-5% do projeto. Os adicionais de seguro para instalações Tipo 2 (R$ 200-500/ano em Porto Seguro e Bradesco) amortizam o adicional em 3-6 anos.

Veja a calculadora de resistência ao granizo para o componente de impacto — a região Sul do Brasil (Santa Catarina, Rio Grande do Sul) registra granizo grande desde 2020 com aumento ligado às mudanças climáticas. As classificações de fogo e granizo são documentadas juntas no laudo do CBM.

Para garantia e degradação veja a calculadora de garantia painel solar — a garantia do fabricante não cobre danos por incêndio; a classe de fogo do sistema é portanto a única proteção que acompanha o ativo.

Fontes

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre módulos PV Tipo 1 e Tipo 2 segundo a IEC 61730?
A IEC 61730-2 §10.20 (adotada no Brasil como ABNT NBR IEC 61730-2:2018) classifica módulos PV em Tipo 1 e Tipo 2 com base nos ensaios de propagação de chama e brasa ardente. Tipo 1 é a classificação mais restritiva — passa no ensaio de brasa ardente Classe A e pode atingir Classe A do sistema sobre cobertura adequada. Tipo 2 passa em ensaio intermediário e limita o sistema a Classe B. A maioria dos módulos premium homologados pelo INMETRO após 2020 (Canadian Solar HiKu7, Trina Vertex S+, JA Solar DeepBlue 4.0, Jinko Tiger Neo, BYD MLK-36) são Tipo 1. Módulos antigos ou genéricos importados podem ser Tipo 2 ou sem classificação.
A ABNT NBR 16690 é obrigatória para instalações fotovoltaicas no Brasil?
Sim. A ABNT NBR 16690:2019 (Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos — Requisitos de projeto) é exigida por todas as concessionárias para conexão na rede sob a REN 482/2012 (atualizada para 1059/2023) da ANEEL. A norma requer: módulos certificados conforme IEC 61730 / ABNT NBR IEC 61730, dispositivo de seccionamento CC no lado do gerador, AFDD obrigatório em instalações residenciais desde a edição 2024, eletroduto CC em material não propagante de chama, passagem livre de 600 mm em cada face da cobertura e placa de sinalização em português visível ao Corpo de Bombeiros.
Como as Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros tratam PV?
Cada UF tem suas próprias Instruções Técnicas (IT) do Corpo de Bombeiros Militar. As principais são: IT 41/2022 do CBMSP (São Paulo), IT 18/2022 do CBMERJ (Rio de Janeiro), IT 24/2023 do CBMGO (Goiás), IT 31/2023 do CBMDF (Distrito Federal), IT 19/2024 do CBPMESP-MG (Minas Gerais). Todas exigem: passagem de 600 mm em cada plano de cobertura, recuo de 800 mm na cumeeira, dispositivo de desligamento rápido CC visível ao bombeiro, placa de sinalização padrão NBR 13434, e — para edificações de uso coletivo — sistema Classe A ou B conforme NBR 9442 e NBR 16690.
O seguro residencial cobre incêndios em painéis solares?
Depende da seguradora e da classificação. As principais seguradoras brasileiras (Porto Seguro, Bradesco Seguros, SulAmérica, Allianz, Mapfre, HDI Seguros, Liberty Seguros) atualizaram suas condições gerais residenciais entre 2023 e 2025 para incluir cláusulas PV específicas. Porto Seguro exige declaração da classe do sistema; Bradesco aplica redução de cobertura de 30% se a instalação não atender ABNT NBR 16690; HDI nega cobertura para sinistros em telhados de madeira não tratada (Croof). Em caso de sinistro, a perícia da seguradora verifica conformidade com a NBR 16690 e a IT do CBM local — divergências podem reduzir o pagamento em 20-100%.
Sistemas BIPV (telhado solar) são tratados como módulo ou como telhado?
Como telhado. Sistemas integrados como Tesla Solar Roof (em homologação), Eternit Telha Solar, Solar Group BIPV, Romiotto, Eletrosul Telhado Solar, devem ser ensaiados como cobertura completa segundo ABNT NBR 5680:2020 (Cobertura — Determinação do comportamento ao fogo). Não basta a certificação IEC 61730 do módulo. A Eternit Telha Solar tem certificação Broof; sistemas integrados anteriores a 2020 podem ser Croof e exigem aprovação especial do CBM e da concessionária.

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