Calculadora de Aterramento FV (ABNT NBR)
Calcule a seção do condutor de proteção e a equipotencialização de molduras para uma instalação FV residencial pela ABNT NBR 5410 e NBR 16690.
Aterramento FV — Seção do condutor de proteção
Como usar a calculadora
Insira a seção do condutor de fase da sua string DC em mm², selecione cobre ou alumínio, e a calculadora retorna a seção mínima do condutor de proteção (PE) pela ABNT NBR 5410:2004 Tabela 58. O mesmo valor se aplica à equipotencialização entre molduras dos módulos e ao cabo de massa trilho-para-barramento.
Entradas:
- Seção do condutor de fase (mm²) — seção do cabo DC da string. Uma instalação residencial brasileira típica de 4-8 kWp usa cabo solar 6 mm². Instalações maiores de 10-15 kWp passam a 10 mm² em trechos longos telhado-inversor.
- Disjuntor / fusível CC (A) — corrente do fusível touch-safe da string box. Serve para recomendar o torque de aperto dos terminais.
- Material do PE — cobre em quase todas as instalações brasileiras. Alumínio permitido a partir de 16 mm² mas raro pela corrosão em emendas externas.
- Eletroduto / leito (proteção mecânica) — Se o PE passa em eletroduto ou leito a seção mínima cai para 2,5 mm². Trecho sem proteção: mínimo 4 mm² pela NBR 5410.
Como funciona o cálculo (NBR 5410 Tabela 58)
A Tabela 58 dimensiona o PE a partir da seção da fase:
S (fase) ≤ 16 mm² → PE = S (mesma seção que fase)
16 < S ≤ 35 mm² → PE = 16 mm²
S > 35 mm² → PE = S / 2
Condutores PE em alumínio são superdimensionados em aproximadamente 1,5× para igualar a condutividade do cobre. A NBR 16690 adiciona mínimo de 6 mm² cobre para o aterramento FV mesmo quando a tabela permitiria menor.
Exemplo numérico. Uma instalação de 8 kWp em Minas Gerais com duas strings de 12 módulos a 11 A Imp cada, alimentando um inversor monofásico de 6 kW. Os condutores DC de fase são 6 mm² cabo solar 0,6/1 kV (ampacidade 70 A ao ar livre / 41 A em eletroduto). A Tabela 58 dá PE = 6 mm² cobre. O mínimo NBR 16690 é também 6 mm². O PE verde-amarelo de 6 mm² acompanha o par DC pelo telhado, até o inversor, e dali ao barramento de aterramento do QDC.
Se o campo usa 10 mm² por trecho longo telhado-inversor de 35 m (ampliação por queda de tensão), a Tabela 58 ainda dá 10 mm² PE (10 ≤ 16 mm²). O teste de continuidade moldura mais distante-ao-barramento deve ler ≤ 1,0 Ω.
NBR 16690:2019 — Requisitos específicos para FV
A NBR 16690:2019 (Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos) complementa a NBR 5410 para o lado DC do sistema FV:
- § 6.6.1 — Todas as partes condutoras expostas do arranjo FV interligadas ao barramento principal de aterramento.
- § 6.6.2 — Seção mínima 6 mm² cobre entre estrutura de fixação e barramento de aterramento.
- § 6.6.3 — Sem haste de aterramento auxiliar no arranjo FV; conexão ao aterramento existente da edificação.
- § 6.7 — DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) Tipo II obrigatório no lado CC e CA em zonas com risco de descarga atmosférica ou trechos > 10 m.
A NBR 16690 é o documento de referência para projetos FV em conformidade com a REN 1000/2021 da ANEEL e o módulo 3.7 do PRODIST.
Hardware de aterramento de molduras
Instaladores certificados (ABGD, ABSOLAR) usam três abordagens:
- Clipes de aterramento em aço inox — Wiley WEEB-9.5, K2 Earthing-Pin, Solar-Log SLB-Gnd, Romagnole RPV-Ar (certificação INMETRO). R$ 4-8 por módulo. Os fabricantes de módulos (BYD, Canadian Solar, JA Solar, JinkoSolar, Trina, LONGi) publicam lista de compatibilidade por modelo.
- Trilho com pino de aterramento integrado — Romagnole, Solar Group, Pratyc com pino de aterramento. O próprio trilho fornece o caminho de aterramento certificado IEC 61730.
- Terminais M6 inox + cabo cobre nu 6 mm² — abordagem tradicional, ainda aceitável em retrofits sobre trilhos antigos sem pino integrado.
O ART do projeto e a vistoria da concessionária verificam especificamente se o clipe ou terminal utilizado figura na lista de compatibilidade do fabricante do módulo — ponto frequente de não conformidade.
Quando a queda de tensão obriga a ampliar o PE
A NBR 5410 limita a queda de tensão a 4% em instalações residenciais. A prática FV (manual ABSOLAR) limita CdT em CC a 1,5% arranjo-inversor e CdT em CA a 2% inversor-quadro. Em trechos > 30 m, a fase frequentemente passa de 6 para 10 mm² — o PE acompanha pela Tabela 58 (10 mm² fica abaixo do limiar de 16 mm²).
Use a calculadora de queda de tensão para verificar a CdT antes de dimensionar o PE.
Defeitos frequentes em vistorias
Os cinco defeitos mais comuns encontrados em vistorias técnicas de instalações FV em 2024 pelas concessionárias do Brasil:
- PE inferior a 6 mm² (NBR 16690 § 6.6.2 descumprido).
- Clipe de aterramento de moldura não certificado para o perfil do módulo usado.
- Sem ligação entre trechos de trilho separados por juntas deslizantes — cada trecho deve estar conectado se a junta pode deslizar.
- Terminal M6 sem arruela dentada — passa na inspeção visual mas falha o teste de continuidade a > 5 Ω.
- PE interrompido na passagem leito metálico-para-caixa plástica — sem bucha de aterramento.
Um teste de continuidade da moldura mais distante até o barramento principal de aterramento detecta os cinco — valor alvo ≤ 1,0 Ω antes da entrada em operação.
Descargas atmosféricas e proteção FV
A ABNT NBR 5419 (Proteção contra descargas atmosféricas) regula a proteção contra raios. Para edificações residenciais sem SPDA externo, a NBR 16690 não exige proteção adicional para o arranjo FV além dos DPS Tipo II. Em edificações com SPDA instalado:
- Estrutura FV isolada do SPDA (distância de separação ≥ 0,5 m) ou integrada ao sistema de proteção contra raios.
- Em caso de integração: DPS Tipo I adicional ao Tipo II no lado CC.
- Equipotencialização entre moldura FV e descida do SPDA via PE padrão mais conexão adicional de 16 mm² cobre.
Para a maioria das residências unifamiliares brasileiras sem SPDA externo, o aterramento padrão pela Tabela 58 mais DPS Tipo II é suficiente. Em regiões de alto índice ceráunico (Centro-Oeste, Sul) recomenda-se DPS Tipo I+II combinado no lado CC.
Calculadoras relacionadas
- Calculadora de seção de cabo — dimensiona a fase que determina a seção do PE
- Calculadora de queda de tensão — queda de tensão nos mesmos cabos
- Calculadora de configuração de string — determina a proteção CC e a escolha do terminal
Fontes
- ABNT NBR 5410:2004 — Instalações elétricas de baixa tensão — referência normativa principal
- ABNT NBR 16690:2019 — Arranjos fotovoltaicos — norma específica FV
- ANEEL — Resoluções Normativas 482/2012 e 1000/2021 — regulação de geração distribuída
- ABSOLAR — Manual de Boas Práticas para Instalações FV — referência industria
- Portal Solar — Guia técnico de aterramento FV — referência praticante