Calculadora de Fusível Solar
Calculadora gratuita de fusíveis fotovoltaicos conforme ABNT NBR 5410 e IEC 60269-6. Dimensione fusíveis gPV de string, bateria e entrada DC do inversor.
Solar Fuse Size Calculator
Como usar a calculadora
Escolha primeiro o tipo de circuito — o fator varia conforme o caso:
- String FV / módulo — fusível 1,56 × Isc (NBR 16690 / IEC 60364-7-712)
- Bateria → inversor / carga — fusível 1,25 × corrente contínua
- Entrada DC do inversor — fusível 1,25 × corrente máxima de entrada
- Saída do controlador de carga — fusível 1,25 × corrente nominal contínua
Tamanhos IEC normalizados no Brasil: 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 80, 100, 125, 160, 200, 250 A. Sempre arredonde para cima.
Por que 1,56 × Isc — a base da norma
O fator 156 % soma duas margens de segurança independentes:
- 125 % por serviço contínuo. Um gerador FV entrega corrente máxima durante várias horas num dia claro. NBR 16690 §6.2 e NBR 5410 exigem proteções dimensionadas a 125 % da corrente de serviço.
- 125 % por sobre-irradiância. Efeitos de borda de nuvem e baixa temperatura podem elevar a Isc real em 25 % acima do valor STC. O segundo fator 1,25 cobre esta folga.
Multiplicado: 1,25 × 1,25 = 1,5625. Um módulo Isc = 10,5 A requer 10,5 × 1,56 = 16,4 A → próximo tamanho padronizado 20 A gPV.
Onde vai cada fusível — instalação residencial brasileira típica
Uma instalação FV com geração distribuída e armazenamento conta com quatro circuitos protegidos:
- Fusíveis de string na caixa DC (string box) — um gPV por string quando há 3 ou mais strings em paralelo. Para 1–2 strings por MPPT geralmente não é exigido.
- Seccionadora DC com fusíveis — entre o gerador e o inversor, dimensionada ao somatório de Isc × 1,56.
- Fusível de bateria — NH gG-DC ou Class T no terminal positivo, dimensionado a 1,25 × a corrente DC máxima do inversor híbrido.
- Lado AC — disjuntor curva C ou D no quadro geral, conforme NBR 5410 §5.3.
A tensão nominal DC de cada fusível deve superar a Voc máxima do string a -10 °C — tipicamente 1000 V DC em residencial brasileiro (locais frios do Sul e Sudeste).
Tamanhos normalizados — sempre arredonde para cima
6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 80, 100, 125, 160, 200, 250, 315, 400, 500 A
Um cálculo de 16,8 A vira 20 A. Um cálculo de 138 A vira 160 A. Nunca arredonde para baixo — o fusível abriria no primeiro dia de sol pleno.
gPV vs gG vs aR — escolha da classe
Três classes dominam a prática FV no Brasil:
- gPV (IEC 60269-6) — projetados especificamente para strings FV. Tensão DC 1000/1500 V, baixa energia pré-arco, abertura rápida sob corrente de falta. Padrão em string box. Marcas: Mersen Helio Protect, ETI, Bussmann PV, DF Electric, WEG.
- gG (IEC 60269-2) — uso geral. Aceitável no lado bateria e carga desde que a capacidade de interrupção DC seja suficiente.
- aR (IEC 60269-4) — proteção de semicondutores, muito rápida. Encontrado de fábrica nas entradas DC de alguns inversores.
Para a conexão bateria → inversor em sistemas com bateria de lítio doméstica (BYD, Pylontech, Growatt), o padrão profissional é NH gG-DC ou Class T com 20 kA de capacidade de interrupção.
Exemplos práticos — residencial brasileiro
Exemplo 1 — 6,6 kWp, 2 strings de 11 módulos. Isc módulo = 11,2 A.
Fusível string ≥ 11,2 × 1,56 = 17,5 A → tamanho 20 A gPV. Com 2 strings por MPPT não é exigido pela NBR 16690, mas é boa prática profissional.
Exemplo 2 — Deye SUN-5K-SG03 híbrido, bateria 10 kWh LFP, 48 V.
Corrente DC contínua = 5000 / (48 × 0,95) = 110 A
Fusível ≥ 110 × 1,25 = 137 A → tamanho 160 A NH gG-DC no terminal da bateria.
Exemplo 3 — Controlador Victron MPPT 100/50, saída 50 A, bateria 48 V.
Fusível ≥ 50 × 1,25 = 62,5 A → tamanho 63 A Class T entre controlador e bateria.
A bitola do cabo precisa acompanhar
Um fusível só protege um cabo que consegue conduzir continuamente a sua corrente nominal após aplicar os fatores de instalação. A NBR 5410 Tabela 36 publica as capacidades de condução de corrente por seção e método de instalação.
Para um fusível de 20 A em string, um cabo solar 4 mm² (H1Z2Z2-K) em ar livre suporta ~55 A — confortável. Para um fusível de 160 A em bateria, o mínimo é 35 mm² em trajetos curtos e 50 mm² em distâncias acima de 1,5 m para manter a queda de tensão abaixo de 1,5 %.
A calculadora de bitola verifica em conjunto a capacidade de condução e a queda de tensão.
Comissionamento e parecer da distribuidora
Toda instalação FV de geração distribuída no Brasil precisa de parecer de acesso da distribuidora (Enel, CPFL, Light, Cemig, Equatorial, etc.) e ART do engenheiro responsável. O parecer e a ART verificam, entre outros itens:
- Calibre do fusível string ≥ 1,56 × Isc.
- Tensão nominal DC ≥ Voc máxima a -10 °C.
- Capacidade de interrupção ≥ corrente de curto-circuito prospectiva.
- Valor máximo de fusível em série indicado no módulo respeitado.
- Materiais certificados pelo INMETRO conforme Portaria 140/2022 e correlatas.
Uma proteção fora de conformidade implica retrabalho — e a distribuidora não libera a troca de medidor para faturamento até a regularização.
Limitações e aviso
Esta calculadora aplica os fatores 1,56 × (lado FV) e 1,25 × (lado bateria/inversor) conforme IEC 60364-7-712 e NBR 16690. Devolve o tamanho normalizado IEC imediatamente superior. Verifique sempre contra o valor máximo de fusível em série impresso na etiqueta do módulo e contra as orientações do manual do inversor.
No Brasil, a instalação de proteções DC em sistemas FV conectados à rede deve ser executada por empresa instaladora habilitada com ART recolhida no CREA. Sistemas isolados (sem conexão à rede) seguem a mesma normalização técnica, embora o processo de habilitação no distribuidor não se aplique.